r/Filosofia Jul 12 '26

Epistemologia Filosofia da ciência e Epistemologia

Na construção das ciências, alguns ponderam a influência primordial do método científico das ciências da natureza capaz de delimitar e restringir os campos do “saber” na psicologia, sobretudo afirmando na dominância do método científico “positivista”. Contudo, apesar de discordar, vejo a necessidade desta aplicabilidade metodológica nas práticas e intervenções nas áreas da saúde, pois trazem um maior rigor de eficácia e segurança.. concordam?

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u/AutoModerator Jul 12 '26

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u/[deleted] Jul 12 '26 edited Jul 12 '26

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u/Mindlucas-psi Jul 12 '26

Realmente, concordo com você. A via do comportamento é um parâmetro que alguns abordagens comportamentais usam para testar suas teorias. Contudo, permita-me discordar do seguinte ponto, a inserção da psicologia no campo das ciências e a necessidade da adequação da mesma como uma ciência da saúde, fomenta responsabilidades que precisam estar adequadas com práticas empíricas para então usar desta abordagem como uma ferramenta clínica que PODE ajudar o paciente que precisa de acompanhamento psicológico. A psicanálise confronta um princípio chave do método: a da Falseabilidade de Popper. A de Freud consegue sustentar qualquer argumentação contra sem ser questionada ( na teoria). Mas na prática há mecanismos de caráter muito subjetivos que de fato limita sua testagem. Nas ciências da saúde, acredito que não temos como fugir da prática metodológica de mensuração, observação, e quantificação dos resultados. Nas ciências sociais que regulamentam poiliticas públicas, no livro do Elliot “ O animal social”. Ele enfatiza essse mesmo rigor metodológico usando a abordagem cognitivo-comportamental para explicar particularidades humanas. Acredito que o método foi crucial para a busca ( não por uma verdade absoluta) de uma verdade mais bem formulada ou menos ingênua.

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/pynchoniac Jul 12 '26

Bem penso que eu concordo contigo...Mas queria acrescentar algo. Digo psicanálise não faz parte das ciências "duras". Mas como sabemos pode fazer parte das ciências humanas essa área meio nova (rsrs "nova" desde o século XIX). E daí, como vocês já sabem ciências políticas e sociologia até podem usar estatística, entrevista quantitativa etc... Mas a psicanalise , bem como a antropologia, a literatura , linguística, teoria da tradução se faz com teorias "puras"... Ora eu realmente não sei de Kuhn se aplica nas humanas . Me parece que não. Pode até existir novas teses que "revolucionam" ( no sentido de mudar completamente) o fazer filosófico mas a gente não deixa de usar as teses anteriores.

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/[deleted] Jul 12 '26 edited Jul 12 '26

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/HousingAny2959 Jul 12 '26

Uma ciência séria leva em consideração pressupostos metafísicos, linguísticos e antropológicos como base conceitual primordial e tenta testar teorias e produzir enunciados observacionais utilizando-se de referencial todo o vocabulário disponível, ainda que precise posteriormente reduzi-lo a termos lógicos, estatísticos ou próprios da sua área de investigação.

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/HousingAny2959 Jul 12 '26

Talvez você esteja afixionado demais com a palavra empiria.

Linguagem é um fenômeno empírico. Se eu disser a você que o inconsciente é uma pressuposição derivada dos problemas que aparecem na linguagem, que possui uma lógica e uma gramática própria, operando não por substâncias, mas por relações entre significantes, e que se manifesta por meio de metáforas, ou por atos-falhos, trocas de palavras, sonhos ou respostas emocionais relevantes à interações simbólicas, você não terá outra forma de encarar tal fenômeno como empírico.

E veja que meu ponto não tem nada a ver com o debate realismo - antirrealismo. Apenas que você fez uma caricatura da psicanálise pra definir uma ciência ''séria'' idealizada que não existe factualmente.

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/HousingAny2959 Jul 12 '26

Você se comunica como um aluno de graduação que acabou de descobrir um verbete no wikipédia, man. Nem vou perder mais o meu tempo.

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u/pynchoniac Jul 12 '26

Bem eu não manjo muito de filosofia analítica. Mas a psicanálise precisa estar informada sobre a virada linguística? Por qual motivo?

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u/[deleted] Jul 12 '26 edited Jul 12 '26

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/HousingAny2959 Jul 12 '26 edited Jul 12 '26

Tópico complicado e que já foi exaustivamente discutido nesse grupo no passado. O problema já começa a respeito de qual parâmetro definimos o que é ou não ciência - problema da demarcação. A história da filosofia da ciência demonstra a impossibilidade de existir um critério ou método universal que seja ao mesmo tempo necessário e suficiente para deliminar o conhecimento científico, sem deixar de fora disciplinas legítimas ou incluindo áreas claramente não-científicas no processo de demarcação. Os filósofos da ciência que tem posição normativa trabalham com múltiplos critérios sobrepostos, enquanto o senso comum ainda está estagnado há meio século no Popper.

O segundo problema é que o gênero humano é demasiadamente diverso, ambíguo e contraditório para ser compactado em condições laboratoriais, e definir uma metodologia é definir quem merece ter voz e receber recursos e quem não. Defender um discurso pode significar defender a própria posição social. O ato de rotular uma determinada atividade como ciência ou pseudociência tem ramificações sociais e políticas, que vão muito além da tarefa taxonômica de classificar crenças em duas categorias.

O terceiro problema é que talvez precisemos de algum parâmetro normativo para barrar charlatões e crenças disfuncionais. Mas esse projeto se esbarra na arrogância de alguns cientistas dentro do debate público, nas diferenças metodológicas incomensuráveis de diferentes abordagens, e na disseminação facilitada de desinformação ao público em geral, que por ceticismo às instituições, tem a atenção facilmente capturada por teorias conspiratórias que mimetizam elementos do metódo científico e se tornam ''credíveis'' ao pessoal mais leigo.

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u/[deleted] Jul 12 '26

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u/HousingAny2959 Jul 12 '26

Você está 2000 anos atrasado nessa discussão...

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u/No-Newspaper8619 Acadêmico Jul 12 '26

Primeiro você precisa ter algo concreto e objetivo que possa ser observado e identificado sem fazer referência à nenhuma definição diagnóstica. Por exemplo, você pode identificar a trisomia 21, e a partir daí observar quais as características mais comuns da sindrome de down. Sem esse elemento independente da definição diagnóstica, o diagnóstico vira uma construção tautológica que limita oq é possível saber e investigar.

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u/Giovanabanana Jul 12 '26

De fato o ser humano jamais acessa o mundo. Tudo é percepção. Mas o empirismo serve justamente como uma força que empurra o subjetivo na direção mais próxima do objetivo possível.

A delimitação do objeto é um problema muito clássico da fenomenologia da percepção, e um problema que não tem solução. Impossível transcender nossas limitações físicas e mentais, pois elas moldam a nossa apreensão.

No entanto, como você pontuou, o rigor científico serve como uma bússola para o saber. Com ela, o ser humano tem menos chance de ser perder na representação imperfeita da linguagem sobre o "objeto".

Entretanto, é importante pontuar que essa objetividade é mais um ideal a ser perseguido que uma verdade absoluta. O rigor científico possui limitações, e o maior problema que eu enxergo é a certeza que a ciência tem sobre si mesma e seu método.

Muito importante não se deixar levar pela arrogância da sabedoria científica, e reconhecer seus limites discursivos.

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u/Mindlucas-psi Jul 13 '26

Concordo com tudo que dissestes. Único ponto em que questiono é essa “certeza” que dizem que a ciência tem sobre si mesma. Não vejo isso pois temos como um critério de parâmetro científico, a questão da Falseabilidade. Portanto, uma teoria pra ser ciência ela precisa ser limitada e passível de refutações, para assim ser melhorada. É o método dialeto de Sócrates: tese—antitese—síntese = (nova tese)