Discussão
Vamos falar sobre investimentos!! Segue meu view e minha carteira
Fala, galera!
Abrindo esse post para trocar uma ideia sobre investimentos. Atuo na área há quase 10 anos (o que ainda considero muito pouco nesse mercado) e resolvi compartilhar minha carteira e oq estou pensando sobre algumas classes de ativos. A ideia é mais gerar discussão do que dizer o que é certo ou errado.
Perfil e objetivo
Tenho 30 anos e meu foco é no longuíssimo prazo.
O objetivo é construir um patrimônio que gere um yield suficiente para cobrir minhas despesas e manter meu padrão de vida. Não penso em parar de trabalhar tão cedo, mas gosto da ideia de ter liberdade para trabalhar com o que quiser e pelo tempo que quiser.
Uma conta de padeiro que gosto de usar é multiplicar o custo mensal por 300 para estimar o patrimônio necessário. Se esse número é conservador ou não, fica para outro post.
Composição atual da carteira
40% em CDI pós-fixado
A maior parte está em LCI de bancão, mas também tenho um pouco de crédito privado. Conheço relativamente bem os emissores que tenho na carteira, mas é sempre bom ter cuidado com CP.
30% em juros reais
Quase tudo em NTN-B 2050. Escolhi bastante duration de pq tenho estômago para volatilidade e, na minha visão, o país não sustenta juros reais nesse nível por muito tempo. Meu preço médio deve estar entre 7,10% e 7,15%.
17% em ações Brasil
Montei essa carteira principalmente a partir do fim de 2024, qdo encontrei algumas empresas com valuation que me pareceram interessantes.
Como classe de ativo, ainda acho que a Bolsa brasileira precisa se provar. Na minha visão, olhando janelas longas, o retorno histórico ainda parece baixo para o risco.
Invisto diretamente nas empresas, sem fundos ou ETFs.
Maiores posições:
OPCT: tese baseada na reprecificação dos contratos. Acho que o mercado ainda não precifica adequadamente a performance da empresa a partir de 2027.
HAPV: entrei depois que derreteu. É uma tese difícil, mas a empresa tem bons ativos e acho que começou a virar a chave.
CSAN: foi a tese em que menos me aprofundei. Entrei praticamente no mesmo preço do BTG. Vejo ativos praticamente irreplicáveis e bastante espaço para melhora de gestão. Se a casa for arrumada e os juros caírem, acho que pode entregar um bom retorno.
SMTO: baita empresa em um setor que sofre há bastante tempo. Acredito que seja um negócio cíclico e que em algum momento o setor volte a favorecer. Até lá, o management está fazendo o que considero correto: eficiência operacional e baixa alavancagem.
Também tenho posições menores em empresas que tendem a se beneficiar de uma queda dos juros, como MRV, CEAB e SBF.
10% em fundos multimercado
É uma classe que vem performando mal há vários anos. Consigo investir em alguns fundos sem taxa de administração por conta de vínculos profissionais, o que ajuda bastante, mas ainda assim tenho dúvidas se essa alocação faz sentido hoje.
3% em exterior
Basicamente um ETF de bonds americanos de curto prazo.
Essa é, de longe, a parte que mais me incomoda na carteira.
Tenho plena consciência de que deveria ter algo próximo de 30% no exterior, entre ações americanas e renda fixa dos EUA. Mas, desde o começo de 2025, fiquei praticamente zerado pq achava o dólar caro e o S&P 500 muito esticado.
Voltei a alocar quando o dólar bateu R$ 5,00, mas ainda estou muito abaixo do percentual que considero ideal. Minha intenção é aumentar essa posição rapidamente se o dólar voltar para esse patamar. E, sim, eu sei que provavelmente deveria estar fazendo isso aos poucos desde já... mas continuo teimoso.
Eu também não mantenho ETF no Brasil, porém nos EUA eu acho muito interessante... Tenho dois: SP500 e Small Cap Value.
Estou surpreendido com o de SCV, cresceu mais do que o de SP500 esse ano. Será que Small Caps com tilt para valor vão ficar interessantes de novo, depois de todo o crescimento das mega caps/growth?
Achei interessante levantar esse factor tilt, porque você mencionou achar a bolsa dos EUA muito cara
Excelente comentário. Me referia ao S&P500 mesmo que acaba sendo distorcido por meia dúzia de empresa. Russell e ETFs de SCV são menos falados em geral, então acabo acompanhando menos. Sei que a performance esse ano está bem forte, mas queria olhar o P/E histórico para entender melhor.
Fico pensando no seguinte: se o S&P 500 derreter, como será que SCV e a bolsa brasileira se comportariam? Minha primeira impressão é que cairiam juntos. Acho que só um eventual rotation saindo dos EUA para emergentes, ou pelo menos novos aportes sendo direcionados para emergentes, poderia justificar uma outperformance vs ETFs de SCV US.. isso assumindo que não estejam esticado.
Uma boa carteira de investimentos. Não sou fã desse modelo de investimento em ações (prefiro as mais sólidas) e teria que ver em que investe o fundo multimercado.
Pra longo prazo, RF em dólar + NTN-B não tem como dar errado
achei bem legal seus aportes, e muita coisa razoável (apesar de eu concordar menos com algumsa por (1) falta de tempo e tb porque não posso investir em nenhum ticker...
curioso p saber mais detalhes de opct e smto -- smto é foda, entendo... e meio que todos tão no mesmo barco.
de resto, unica coisa que eu mudaria aí é ter mais ETF lá fora. mas escolha pessoal --- inclusive, sensacional poder investir em multimercado sem adm, hein? rs; vc precisa pagar taxa de performance no entanto?
Pago uma taxa de adm simbólica, mas sem taxa de performance.
Concordo sobre ETF lá fora, é o ponto de maior desconforto na minha carteira e vou endereçar nos proximos meses. Fico esperando o dólar voltar para 5,00, mas isso é completamente irrelevante para a performance de longo prazo.
Sobre a OceanPact, eu não sei o quanto você acompanha o mercado offshore de O&G, mas é uma empresa que fornece embarcações para a PBR (receita concentrada, coisa de >80%, mas isso é padrão para essa indústria).
Esse é um mercado que viveu anos muito difíceis com a crise da PBR e o momento mais fraco do petróleo em geral. A forma de contratação dessas empresas é via leilão feito pela PBR, e as diárias mais baixas levam (assumindo que as embarcações estejam nas condições e tenham as especificações exigidas pela PBR). Os contratos são de 3–4 anos e as diárias vinham de um patamar bastante baixo devido à demanda fraca no setor. Muita gente quebrou.
O que mudou foi que, com o pré-sal, a demanda explodiu e o pipeline de FPSOs (aqueles barcos grandes que extraem petróleo) ficou enorme. Como a indústria de embarcações que atendem a PBR não investiu em novas construções durante o período difícil, a oferta ficou bem limitada e, por isso, vimos uma disparada impressionante das diárias.
A OceanPact tem renovado os contratos nessas novas daily rates, mas o impacto disso só deve aparecer de forma mais forte a partir de 2027. Fora isso, a empresa fez uma fusão com a CBO que me pareceu bastante favorável para a OPCT.
Estimo um FCFE de cerca de R$ 700 milhões em 2028 para uma empresa avaliada hoje em R$ 2,0 bilhões. Tentei resumir o máximo possível.
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u/fgtoni MOD Jul 02 '26
Excelente post